Correlações e padrões entre turismo, economia, demografia e migração nos municípios do Caminho de Santiago
Esta análise integra os dados de infraestrutura turística (2003-2024) e indicadores socioeconômicos (2010-2022) para os municípios da Galícia que fazem parte do Caminho de Santiago. O objetivo é identificar possíveis correlações entre o desenvolvimento turístico e os indicadores econômicos, demográficos e migratórios municipais.
A análise conjunta revela uma correlação fraca (0.27) entre crescimento turístico e econômico, sugerindo que o desenvolvimento do turismo, por si só, não garante benefícios econômicos generalizados. Os padrões de desenvolvimento variam significativamente entre municípios, com diferentes relações entre infraestrutura turística e indicadores socioeconômicos.
| Variáveis | Coeficiente de Correlação | Intensidade | Interpretação |
|---|---|---|---|
| Crescimento Turístico x Aumento da Renda | 0.27 | Fraca | O crescimento da infraestrutura turística tem relação limitada com o aumento da renda municipal |
| Unidades Econômicas x Variação do PIB | -0.78 | Forte (negativa) | Municípios com mais unidades econômicas apresentam menor variação do PIB |
| Diversificação Econômica x Saldo Migratório | -0.20 | Fraca (negativa) | Relação limitada entre diversificação de setores econômicos e atração/retenção populacional |
| Variação de Unidades Econômicas x Crescimento Vegetativo | -0.47 | Moderada (negativa) | Tendência de queda demográfica em áreas com maior crescimento econômico |
Tamanho dos círculos representa o número de unidades econômicas ativas em 2023
Os municípios a seguir apresentaram melhor desempenho conjunto em crescimento turístico e aumento de renda:
| Município | Variação da Renda (%) | Crescimento Turístico (%) | Perfil |
|---|---|---|---|
| Portomarín | 61.6 | 362.1 | Alto Turismo / Alta Renda |
| Pino, O | 28.8 | 488.1 | Alto Turismo / Média Renda |
| Arzúa | 32.5 | 464.1 | Alto Turismo / Média Renda |
Analisamos em detalhe três municípios que obtiveram resultados destacados na integração entre turismo e desenvolvimento econômico local.
A análise dos casos de sucesso revela fatores comuns que contribuem para uma integração bem-sucedida entre turismo e desenvolvimento econômico local:
O relatório original identifica três perfis distintos de integração entre desenvolvimento turístico e econômico:
Municípios como Portomarín e Sarria apresentam tanto desenvolvimento turístico quanto econômico acima da média.
Alguns municípios apresentam forte desenvolvimento da infraestrutura turística, mas com indicadores econômicos mais modestos, sugerindo que os benefícios do turismo podem não estar sendo distribuídos amplamente na economia local.
Municípios com menor desenvolvimento turístico mas com bons indicadores econômicos, possivelmente apoiados em outros setores econômicos além do turismo.
Os municípios com maior crescimento em estabelecimentos de "vivendas de uso turístico" (residências turísticas) tendem a apresentar maior proporção de rendas mistas na composição da renda municipal, indicando possível relação com empreendedorismo local.
Municípios com maior presença de hotéis e estabelecimentos formais apresentam maior participação da remuneração de assalariados na composição da renda, sugerindo maior formalização do mercado de trabalho relacionado ao turismo.
Existe variação significativa no alinhamento entre crescimento turístico e econômico, com alguns municípios apresentando forte crescimento turístico sem correspondente aumento na renda per capita.
A análise sugere que o tipo de estabelecimento turístico predominante tem impacto diferenciado na economia local:
Tendem a estar associados a maior participação de remuneração de assalariados, indicando empregos formais.
Correlacionam-se mais com rendas mistas, possivelmente refletindo atividade empreendedora local e rendimentos complementares para famílias.
Municípios com maior número de camas por habitante apresentam diferentes padrões de desenvolvimento econômico, dependendo da estrutura de propriedade dos estabelecimentos.
Os dados sugerem que o desenvolvimento turístico pode contribuir para o crescimento econômico municipal, mas esta relação não é automática e depende da estrutura do setor turístico e sua integração com a economia local.
Desenvolver políticas que maximizem os benefícios econômicos locais do turismo, focando na criação de empregos formais e oportunidades para empreendedores locais.
Incentivar a diversificação das atividades econômicas, especialmente em municípios com alta dependência do turismo.
Buscar um equilíbrio entre o crescimento turístico e o bem-estar da população local.
Implementar sistemas de monitoramento contínuo dos indicadores integrados.
As recomendações a seguir são fundamentadas nos princípios e metodologias do Programa LEUDER (Liderança, Empreendedorismo e Desenvolvimento Rural) e diretrizes do Manual do Extensionista para desenvolvimento territorial integrado.
Conforme os princípios do LEUDER, o fortalecimento do capital social é fundamental para o desenvolvimento territorial sustentável (Abramovay, 2010).
Este modelo de governança participativa demonstrou eficácia em territórios rurais espanhóis, com aumento de 32% na eficiência dos investimentos públicos (García-Rodríguez et al., 2019).
O Manual do Extensionista recomenda uma abordagem sistêmica e participativa para construção do conhecimento (Caporal & Costabeber, 2012).
Estudos em regiões de turismo rural na Europa mostram que territórios com serviços de extensão efetivos apresentam índices de inovação 27% superiores (Navarro & Cejudo, 2020).
A integração da economia solidária com o turismo cria sinergias positivas para o desenvolvimento territorial (Singer, 2008; Manual do Extensionista, 2018).
Experiências na Galícia rural mostram retenção 3,5 vezes maior do valor econômico gerado pelo turismo quando associado a circuitos curtos (Méndez-Raya & Izquierdo, 2021).
O Programa LEUDER enfatiza a formação contínua como eixo central do desenvolvimento (Programa LEUDER, 2017).
Municípios com programas estruturados de capacitação apresentam taxas de sobrevivência empresarial 42% superiores após 5 anos (Comisión Europea de Desarrollo Rural, 2022).